POLICARPO QUARESMA

 

Caros leitores,

Em janeiro de 2005, embarquei pela primeira vez em direção a rica experiência de estudar fora do Brasil. Na época, comprava-se U$ 1 por R$ 2,74.

Percebendo a desvalorização do real no dia a dia do exterior, que tornava até um cafezinho caro, e todo o esforço para aprender inglês, pensei como seria mais fácil ter nascido gringo.

Segurança nas ruas, menor tributação nos produtos, transporte público eficiente, língua universal e tantos pontos que me encantavam.

Passaram-se anos, comecei a trabalhar, a empreender, até que finalmente percebesse o quão sortudos somos nestas terras tupiniquins.

Assim como o nacionalista Policarpo Quaresma, clássico personagem do escritor Lima Barreto, notei quão rica é nossa cultura, resultado da miscigenação de tantos povos, e a incrível beleza do país.

Na área dos negócios, parafraseio o empreendedor Carlos Alberto Sicupira que afirma estarmos 5 a 10 anos atrasados, uma grande vantagem que nos permite copiar o que já funciona lá fora.

No ranking mundial temos o Nono maior PIB, 211 milhões de habitantes, reservas internacionais robustas, juros baixos, instituições democráticas fortes e uma vastidão de oportunidades. Deveríamos estar otimistas com o futuro.

Apesar disso, em 2020 figuramos entre os países com a maior desvalorização da moeda frente ao dólar (na faixa dos 30%). Perdendo para vários pares emergentes, como: México, África do Sul, Turquia, Chile, etc.

Hoje encontra-se U$ 1 por R$ 5,40. E o que explicam os especialistas? Ruído político, ambiental e preocupação fiscal.

Realmente temos tarefas a fazer, mas qual dos emergentes não têm? Parece haver algo a mais impedindo nossa evolução. Os números não explicam esse baixo desempenho comparado a outras nações.

Por isso acredito que o descrédito internacional com o Brasil é autoimposto, começa aqui mesmo, dentro de casa. Temos um ‘’complexo de vira-lata’’ que precisamos superar, valorizando o país e acreditando nos brasileiros. Para então mostrarmos ao mundo o porquê de sermos o ‘’B” dos BRICS.

“Não se sabia onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele algum regionalismo; Quaresma era antes de tudo brasileiro.”O Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto.

Excelente Semana,

Abs,

Lucas M.

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